domingo, 13 de maio de 2012

O mapa da prostituição

Desde que cheguei em Moscou, já encontrei alguns mapas interessantes do metrô. Além do tradicional, totalmente necessário para saber como chegar a qualquer ponto da cidade, que já conta com 185 estações distribuídas por 12 linhas, um dos alternativos era o mapa da vodca, que continha os melhores bares por estação.

Agora, porém, o mapa da vodca acaba de ser ultrapassado no interesse masculino pelo de uma organização pouco secreta que contrata mocinhas para entregar um booklet de 40 páginas somente a homens em diversas estações de metrô da capital russa.

A "Flirt" (do russo, "Flerte"), ao lado, à primeira vista pode parecer um catálogo Hermes ou Avon. Mas, na verdade, é uma revistinha recheada de fotos de prostitutas em poucas roupas, qualificadas por estação de metrô e idade.

No miolo do livrinho, a página dupla traz um mapa do metrô com as indicações das melhores prostitutas - ou as que têm cafetões com os melhores skills em relações públicas - por estação (foto abaixo).

A seta vermelha na foto inferior esquerda,  resume a finesse do catálogo na pergunta impressa : "Você não iria ali?"
Há pouco mais de um  ano, fui a Skolkovo, "o Vale do Silício russo", fazer uma reportagem e, na volta, rachei um táxi com um estudante-empreendedor alemão e outro austríaco. O austríaco, então, me perguntou por que eu vivia em Moscou há tanto tempo, "uma cidade tão predominantemente masculina".

Imediatamente eu entendi o "masculina" (que era muito claro nas entrelinhas das conversas sobre outra estudante russa da escola). Agora, isso se resume em um livrinho de 40 páginas e um mapa da prostituição. Some-se a ele o da vodca, e adiós, estranhas estrangeiras. Não há nada para vocês aqui, do ponto de vista de um estudante-turista-sexual.


O mapa "tradicional" do metrô moscovita, que deve ser ampliado para quase 500 km e 250 estações até 2020, segundo projeto da prefeitura
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Thanx a Inaye Brito pela pérola 

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Os relógios de Kirill

Depois de descobrirem uma imagem mal photoshopada do Patriarca Kirill no site da Igreja Ortodoxa Russa, os internautas do país foram à loucura com suas maravilhosas gozações sobre o assunto. 

Patriarca dos suíços e dos relógios em geral

Que relógio?

Até o relógio do Kremlin entrou na brincadeira!
"Que relógio é esse, hein? Qto levou?"
"Qual é, Vova! Eu não uso relógio, é montagem"

"Que horas são?"
"Jesus, $%&*!"

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Especial Revista Brasileiros

domingo, 25 de março de 2012

Diário de Moscou - Biscoitos da discórdia

A soviética arte de comprometer outrem

MARINA DARMAROS

No último dia 15, a NTV, televisão estatal russa conhecida pela linha editorial fiel ao governo, veiculou um documentário mostrando como a oposição do país jogaria sujo contra o seu patrão.

Segundo o filme de 30 minutos, além de pagar com biscoitos e dinheiro para que falsos opositores lotem os protestos que tomaram a capital desde as eleições parlamentares de dezembro, a oposição também cooptaria trabalhadores uzbeques, cazaques e quirguizes, mendigos, bêbados e estudantes quenianos para frequentar as demonstrações pró-governo e fingirem ser comprados por ele.

A assustadora e grossa voz do narrador do "Kompromat" (material comprometedor, em russo) conta como, no dia 26 de fevereiro, manifestantes comprados se reuniram na porta de uma estação de metrô para o Círculo Branco -ação em que a oposição, desde dezembro caracterizada pelas fitinhas brancas no peito, "abraçou" um dos anéis rodoviários de Moscou de mãos dadas.

No mesmo dia, a agência de notícias Ridus reportou a veiculação do documentário, classificando-a como "provocação" do governo.

"Tudo isso de fato aconteceu na estação de metrô Sokólniki, mas foi organizado não pela oposição, é claro, e sim por aqueles que encomendam tais pasquins para a TV russa", escreveu o blogueiro Roustem Adagamov em sua página Drugoi (outro), o blog número um do ranking russo do LiveJournal.

Depois da transmissão do filme, o site da NTV foi inundado de reclamações até sair do ar (os servidores não aguentaram tantos acessos) e manifestantes foram até Ostankino, onde ficam os estúdios da NTV, para reclamar.

BABUCHKAS VS. PELADONAS

O Eurovision -ou, segundo nossos amigos portugueses, Eurovisão-, a mais conhecida premiação para novos talentos da música europeia, reúne todos os anos uma porção de garotas e rapazes na casa dos 20 anos, mais notáveis pelos corpaços à mostra.

Pois neste ano a coisa mudou de figura, no sentido literal. No Eurovision 2012, a Rússia está sendo representada por um grupo de velhinhas de Udmúrtia, na região central do país.

Do povoado de Buránovo -cuja população era de 658 pessoas em 2011, quando foi feito o último censo-, onde vivem e trabalham, as velhinhas vão pousar em maio em Baku, capital do Azerbaijão, onde será realizado o Eurovision, para cantar e dançar música folclórica russa na premiação.

O grupo Buránovski Bábuchki (vovós de Buranovo) existe há mais de quatro décadas, com diferentes formações, mas ficou famoso no país em 2010, quando se inscreveu pela primeira vez no Eurovision. Só agora, no entanto, as vovós foram escolhidas para representar o país.

PARTY FOR EVERYBODY

Inicialmente, as nove senhoras, cujas idades variam de 43 a 86 anos, recusavam-se a falar inglês, cantando somente no dialeto udmurtski, mas com o tempo entenderam que não tinham outro jeito para participar de um concurso internacional.

Agora, elas ensaiam a coreografia de "Party for Everybody" (vídeo em bit.ly/babuchka) todos os dias, religiosamente, enquanto se preparam para a premiação.

A SALVAÇÃO DA ARTE

Semanas atrás, o arcipreste Vsevolod Chaplin, chefe da divisão dos sínodos para relações entre igreja e sociedade, disse que iria todos os dias ao local onde se encontram as garotas do grupo de protesto Pussy Riot -detidas por cantarem sua composição punk "Virgem Maria, nos Livre de Putin" na catedral do Cristo Salvador, no fim de fevereiro-, até obter seu arrependimento.

Agora, ele declarou à agência Interfax que pretende abrir um centro de arte contemporânea na catedral de São Nicolau.

Não é a primeira vez que o arcipreste exterioriza seu interesse estético -vide sua proposta para um "dress code" ortodoxo. Mas agora ele se diz pronto a colaborar "com todos, até com Marat Guelman". Guelman é um galerista famoso pela curadoria de "Nova Arte do Período Pós-Soviético", que lhe rendeu um processo por "ofensa ao sentimento religioso e danos morais", por expor quadros como "Policiais se Beijando", bem fiel ao título, da dupla Narizes Azuis.

"Seus trabalhos beiram o sacrilégio, mas não os considero sacrilégios", disse o arcipreste ao diário "Moskóvski Nôvosti". Talvez mais digno de nota que o anúncio de Chaplin seja a confirmação que Guelman deu a veículos como a rádio Echo Moskvi e o jornal on-line Gazeta.ru de que já está em negociação com o arcebispo.

Na Folha de S.Paulo.

terça-feira, 6 de março de 2012

Rússia prende manifestantes anti-Putin

Polícia reprime manifestações contra o que a oposição classificou como fraudes que deram vitória a premiê russo

"Estamos vivendo uma nova ditadura", diz manifestante ouvido pela Folha na praça Pushkin, em Moscou


RODRIGO RUSSO
ENVIADO ESPECIAL A MOSCOU
MARINA DARMAROS
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM MOSCOU


Um protesto convocado pela oposição contra a vitória do premiê Vladimir Putin, com quase 64% dos votos, na eleição presidencial de domingo levou cerca de 20 mil pessoas à praça Pushkin, em Moscou, de acordo com os organizadores da manifestação. A polícia fala em 14 mil.

O número de detidos pela polícia -que colocou 12 mil homens nas ruas da capital russa- varia de 250 (nas contas das autoridades) a 1.000 (nas contas da oposição).

O escritor Eduard Limonov, do bloco Uma Outra Rússia, compareceu à Comissão Eleitoral Central, perto da praça Lubianka, para criticar o que classificou como fraudes eleitorais. Sem autorização oficial para o ato, foi detido.

Na praça Pushkin, o ativista e blogueiro Alexei Navalny e o líder de esquerda Sergei Udaltsov foram detidos após se recusarem a deixar a área quando o prazo concedido para o ato expirou.

Entre os gritos de "Rússia sem Putin" e "Putin ladrão" na praça, o empresário Vladimir Fidelev, 46, usando uma fita branca na jaqueta, disse à Folha estar cansado do jogo político na Rússia. "Estou com ânsia de vômito. Se o presidente Medvedev ainda fosse para o segundo mandato, o povo engoliria."

Aleksandr Notchini, 72, presidente da União dos Fabricantes de Concreto, comparou o regime de Putin ao período soviético: "Estamos vivendo uma nova ditadura. Durante o período soviético, havia medo e fé. Hoje não há medo, mas há essa desonra".

Na praça Manej, os jovens da Nashi, organização favorável ao governo, fizeram nova manifestação. Usando braçadeira em laranja e preto (símbolo da vitória soviética na Segunda Guerra), o estudante Serguei Kankov, 18, declarou: "Sou partidário de Putin porque acredito que seja um líder forte, como a Rússia precisa".

Ontem, a principal missão de observadores internacionais disse que houve "sérios problemas" na votação.

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Na Folha de S.Paulo.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Moscou tem silêncio nas ruas e muitos policiais


DO ENVIADO A MOSCOU
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA EM MOSCOU
(RODRIGO RUSSO e MARINA DARMAROS)


A neve e as temperaturas negativas na capital da Rússia contribuíram para que as ruas ficassem silenciosas durante o dia de eleição.

A presença de policiais e militares nas estações de metrô e no centro de Moscou, porém, era intensa e dava a sensação de que algo podia acontecer a qualquer momento.

Em duas das seções eleitorais visitadas pela reportagem, havia venda de produtos, de artesanato a livros, na antessala das cabines de votação. Nas ruas, não se via propaganda de outro candidato que não Vladimir Putin.
Ainda com as eleições em andamento, e teoricamente sem que o vencedor fosse conhecido, a praça Manej, nos arredores do Kremlin, já se preparava para celebrações da vitória de Putin.

As forças oficiais interditaram ruas, um shopping e o tradicional McDonald's próximo à praça Vermelha para que a festa acontecesse.

Uma enorme bandeira da Rússia foi disposta em um dos prédios da região, e telões reproduziam as imagens do símbolo nacional.

No fim da tarde, grupos majoritariamente formados por homens eram deixados por ônibus no local.
O tom de nacionalismo que Putin deu a sua campanha ficava patente com a distribuição de bandeiras e bexigas com as cores do país.

Alguns traziam suas próprias bandeiras, como um grande grupo da União dos Construtores de Máquinas.
As pessoas, contudo, não pareciam muito dispostas a celebrar. Um grupo reforçava a necessidade de tirar uma fotografia no local, com todos aparecendo, como se cumprisse obrigações.

Para chegar perto da praça no mesmo caminho feito pelos manifestantes, a Folha precisou passar por duas revistas policiais e dois detectores de metais. Não havia rota de saída, e um dos oficiais, antes de liberar passagem, questionou o motivo do abandono da celebração.
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Na Folha de S.Paulo.

Putin vence e enfrentará protestos de rua

Urnas apuradas na Rússia dão mais de 60% dos votos para primeiro-ministro, que será presidente pela terceira vez 


Ex-agente da KGB chora em comício da vitória; oposição vê fraude e promete atos em Moscou a partir de hoje

RODRIGO RUSSO
ENVIADO ESPECIAL A MOSCOU

Colaborou MARINA DARMAROS

O atual premiê Vladimir Putin, como esperado, venceu ontem as eleições presidenciais da Rússia, com grande vantagem sobre os demais quatro concorrentes e diversas acusações de fraude.

O resultado oficial só sairá em um mês, mas a Comissão Eleitoral Central, com base em 97% das cédulas apuradas, apontava 64% dos votos para Putin. Em um distante segundo lugar figurava o veterano comunista Gennady Zyuganov, com 17%.

A oposição, de imediato, convocou protestos para hoje. Espera novamente reunir milhares nas ruas, como no final do ano passado.

O empresário Mikhail Prokhorov, único candidato independente e terceiro colocado (8%), afirmou que seus observadores registraram mais de 4.000 irregularidades no pleito de ontem.

Em uma tentativa de maior transparência para evitar fraudes, a Rússia instalou pela primeira vez um sistema de transmissão ao vivo pela internet de seções eleitorais, observadas por câmeras.

Uma das falhas desse procedimento, como apontou Prokhorov, é que não há transmissão dos locais em que os votos são contados.

PUTIN CHORA

À noite, sob neve e temperaturas negativas, Putin, 59, declarou-se vitorioso em discurso na praça Manej, em frente ao Kremlin, para milhares de partidários.

Ex-agente da KGB (serviço secreto soviético) e faixa preta em judô, escolheu o vocabulário marcial para celebrar: "Nós vencemos uma luta aberta e honesta", disse, com lágrimas nos olhos.

Putin comanda a Rússia há 12 anos e chegou ao poder no fim de 1999, com a queda de Boris Ieltsin. Venceu as eleições de 2000 e de 2004 e, como o terceiro mandato consecutivo é proibido pela Constituição, fez seu sucessor, Dmitri Medvedev, conquistar a Presidência em 2008.

Medvedev então indicou Putin ao cargo de primeiro-ministro. Agora, ele tem a chance de permanecer mais 12 anos na Presidência, pois uma reforma constitucional aumentou o mandato de quatro para seis anos.
Observadores independentes disseram que seu trabalho foi cerceado.

Lilia Shibanova, diretora do Instituto Golos, a maior entidade de monitoramento das disputas eleitorais no país, disse à Folha que, pela manhã, seus telefones haviam sido bloqueados e até mesmo a senha do Skype da organização fora alterada.

Depois de depositar em uma urna transparente sua cédula de votação, em que escreveu que a Rússia precisa de eleições limpas, o ex-vice-premiê Boris Nemtsov, uma das principais vozes da oposição, afirmou que a disputa de ontem "foi uma imitação de eleição, assim como temos uma imitação de Poder Judiciário neste governo".

Questionado sobre um movimento como a Primavera Árabe, ele disse que o país precisará de "várias primaveras até ser uma democracia".
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Na Folha de S.Paulo

Dia de protestos e lágrimas em Moscou

domingo, 4 de março de 2012

Eleições 2012

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Putintesto


No protesto pró-Putin realizado anteontem em São Petersburgo, um programador resolveu dar uma de repórter e perguntar aos manifestantes o que estava escrito em suas placas. Para sua surpresa - ou não -, muitos sequer lembravam os bordões que carregavam, outros não sabiam o que os trocadilhos significavam.
Um deles (4'55'') se recusava a carregar aberta sua faixa, em que se lia "Pútin" no lugar de "pai" em uma passagem bíblica: "Perdoa-lhes, 'Pútin', porque não sabem o que fazem!"
Para fechar, faixas e placas abandonadas no metrô e dois mendigos, pobrezinhos, carregando seus slogans sentadinhos dizem apoiar o primeiro-ministro, "koniêtchno" ("claro").
O título do vídeo, "Puting", é uma mistura de Pútin com a palavra "miting" (em russo, "protesto"). 

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Pútin é preso e julgado



Tem coisas que só a oposição e os truques de cinema fazem para você! Publicada há apenas três dias, a reportagem fake de um julgamento do primeiro-ministro Vladímir Pútin já teve quase 3,5 milhões de visualizações no Twitter. Tem até usuário russo perguntando nos comentários se não é real o vídeo, tal a semelhança do ator com o premiê...

Moscou enfrenta o inverno com esportes

MARINA DARMAROS
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE MOSCOU

Snowboard nos parques, patinação no gelo a céu aberto ou em pistas cobertas e peles em promoção nos principais centros de exibição de Moscou. Para quem se amedronta com temperaturas de -20ºC a -30ºC, a capital russa reserva variadas opções de diversão indoor.

No frio russo, os parques viram ponto de encontro de esportistas radicais -e também não tão radicais assim. "A gente se diverte no inverno", diz o estudante Oleg, 25. "Hoje passamos o dia todo fazendo snowboard no clube esportivo Kant [www.kant.ru, em russo]", conta sua amiga Maria, 23.

No complexo, que reúne pistas de esqui, snowboard, patinação no gelo e loja de material esportivo, ainda é possível frequentar uma escola de esportes niveais e alugar patins, pranchas e esquis.

"Temos 30 pistas e recebemos cerca de 2.200 pessoas por dia nos finais de semana", conta a diretora da escola, Elena Alekseeivna.

Parques moscovitas Além dos clubes, os esportes podem ser praticados de graça em parques públicos como o Vorobiôvi Góri (em russo, "Monte dos Pardais"; vorobyovy-gory.ru),onde também há opções para os menos experientes -mas não menos divertidas. O "tubing", que consiste em descer a ladeira sentado numa câmara de pneu, é uma delas.

A patinação no gelo, uma das atividades preferidas dos russos no inverno, está disponível em rinques a céu aberto nos parques da cidade, como o Górki, que tem o maior rinque da Europa, com 15 mil m², ou o VDNKh (www.vvcentre.ru). A vista vale a visita, mesmo sem patinação.

Na praça Vermelha, bem em frente ao centro de compras Gum e à catedral de São Basílio, há um rinque (www.gum.ru/en/projects/rink) que é sucesso instantâneo entre os que estão de passagem pelo principal ponto turístico da capital.

Pessoas caminham em meio a nevasca em rua de Moscou; capital russa pode ter temperatura de 30ºC negativos Em locais abertos há quase sempre uma barraquinha de chá para aquecer os friorentos, mas quem não tem experiência e não quer se arriscar em temperaturas extremamente baixas pode optar por rinques indoor, que funcionam durante o ano todo, como o da rede de shopping centers Mega.

Com as promoções de fim de inverno, também é possível se render às mais variadas marcas europeias do shopping, como Zara, H&M, Mango, Topshop etc.

Compras e repolhos Sempre é possível sobreviver ao inverno moscovita com o método "kapusta" (em russo, "repolho"). É assim, sobrepondo uma blusa sobre a outra, uma calça sobre a outra, que a maioria dos estrangeiros se vira.

Mas há outro jeito -controverso- de fugir do frio, que é aproveitar os descontos nas feiras de peles. É preciso barganhar para fazer valer a pena a compra dos chapéus e casacos em promoção por toda a capital russa -nos últimos com preço inicial na casa dos US$ 900.

As peças, porém, podem chegar a três quartos do valor inicial na conversa, e a apresentar-se como brasileiro é quase um cartão de desconto.
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Na Folha de S.Paulo

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Desenhista retrata morte de jornalista russa

Italiano Igort lança livro sobre Anna Politkovskaia, assassinada em 2006 em caso que ainda segue sem solução


Para escrever a obra, autor viajou por dois anos pela Rússia, que ele diz ser hoje um país "amaldiçoado"

MARINA DARMAROS
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE MOSCOU

Em 7 de outubro de 2006, durante a segunda guerra da Tchetchênia (1999-2009), Anna Politkovskaia, correspondente do jornal russo dissidente "Novaia Gazeta", foi assassinada, aos 48 anos, no elevador de seu prédio, em Moscou.

Um dia depois, o desenhista italiano Igort escrevia, da França: "Uma luz apagada com quatro balas". O post em seu blog continha apenas uma frase e a foto de Anna.

Durante quatro dias seguidos, o desenhista, nascido Igor Tuveri e criado numa casa "muito simpática à cultura russa", não pôde deixar de escrever sobre o evento.

O interesse pelo assunto o levou a uma viagem de dois anos pelo país, a partir de 2009, cujo fruto é a graphic novel "Les Cahiers Russes: La Guerre Oubliée du Caucase" (cadernos russos: a guerra esquecida do Cáucaso; editora Futuropolis; 20 euros -cerca de R$ 45-, em média, na Amazon.fr), lançada em janeiro na França.

"A Rússia é hoje um país amaldiçoado, onde a gente tem medo de falar sobre certos assuntos, finge não ver que alguns julgamentos, como o da morte de Politkovskaia, são grotescos", disse Igort à Folha.

Mais de cinco anos depois, o caso de Anna continua sem solução. Profundamente tocada pelos horrores da Tchetchênia, a jornalista não fazia apenas seu trabalho, e esse era um dos motivos pelos quais incomodava tanto, segundo sua amiga e tradutora Galia Ackerman, também retratada por Igort. "Ela era uma defensora dos direitos humanos", conta Galia.

Além de refazer o percurso de Anna no dia de sua morte, Igort reconta episódios de injustiças contra o povo caucasiano relatados por ela.

Um deles é o do massacre na escola de Beslan, quando terroristas fecharam uma escola na Ossétia do Norte, em 2004, exigindo a retirada das tropas russas da Tchetchênia. Mal coordenada pelas forças russas, a ação resultou em até 380 mortes.

"Cadernos Russos" não foi uma estreia. Casado com uma ucraniana e falando um pouco de russo, Igort já havia publicado, pela mesma coleção da editora Futuropolis, os "Cadernos Ucranianos", sobre a grande fome provocada por Stálin que matou 6 milhões no país nos anos 1930.

"Com o desenho você pode facilmente recriar qualquer coisa, é tudo por sua conta e de seu talento", diz.

Já publicado na Itália desde o ano passado e com uma tiragem inicial de 6 mil cópias na França, as expectativas de venda do novo livro são grandes. Segundo a porta-voz da Futuropolis, Elise Rouyer, isso se dá principalmente devido ao sucesso do "Cadernos Ucranianos", publicado em sete países europeus.

No formato de um diário de viagem, a história contada por Igort está repleta de episódios da "democratura" russa, como é chamado por cientistas políticos ocidentais o sistema do país -ou seja, uma ditadura disfarçada.

"Eu vi soldados mutilados em São Petersburgo, implorando por alguns rublos, e isso diz muito. A Rússia é um país em guerra, mas a gente prefere não ver isso. Se existe um legado do trabalho da Anna, esse é importantíssimo", arremata Igort.
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Folha de S.Paulo

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

A oposição ataca novamente - 04.02.2012

Rio Moscou, ao lado da Praça Bolôtnaia, congelado e cheio de neve a
18 graus negativos no sábado (4)

Os rapazolas do "Pútin e os Soldados Paraquedistas"...

... novo hit da internet, o grupo de veteranos conseguiu mais de
1 milhão de visualizações em quatro dias com o vídeo abaixo:


Paródia de uma música russa, a letra virou um hino da oposição, pedindo que
o primeiro-ministro "olhe nos olhos e deixe seu mandato".

Agora vocês acreditam que estava frio? Todos os jornalistas bigodudos
andavam de lá para cá com os pelos congelados assim!

A ala da terceira idade sempre fica bem de frente para o palco.

Iliá Iáshin, da Frente de Esquerda

O Grigóri Iavlínski, do partido Iábloko, estava ali com o bração levantado
no final do comício e jogaram uma bolinha de papel nele. Mas ele
foi forte e não chorou, nem chamou a ambulância ;)

O blogueiro-ativista-candidato-a-candidato-e-advogado Aleksêi Naválni ali
no topo da escada com sua uchanka, esse gorrinho com
orelhas embutidas. 

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Sob frio, 100 mil saem às ruas contra Putin

Protestos na capital russa ocorrem a quase um mês de eleições; aliados também fazem manifestação paralela


Projeção de pesquisa aponta atual premiê como favorito; oposição reclama de falta de liberdade e de fraudes

MARINA DARMAROS
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE MOSCOU

Mais de 100 mil pessoas saíram ontem às ruas de Moscou, na Rússia, para protestar contra as fraudes nas eleições parlamentares de dezembro passado e pedir a renúncia do premiê e candidato à Presidência, Vladimir Putin. A uma temperatura de 18º C negativos, os manifestantes percorreram 2,5 km a pé.

Enquanto a organização e a mídia contabilizaram a presença de 100 mil pessoas, o Ministério do Interior anunciou um máximo de 36 mil.

Sob gritos de "Rússia sem Putin", a manifestação teve show do grupo Putin e os Soldados Paraquedistas, formado por veteranos do Exército e sucesso na internet.

"Já não se pode mais viver com um sistema completamente corrupto, sem liberdade", disse à Folha o vocalista, Mikhail Vistítski.

O ato contra Putin não foi o único em Moscou. Segundo a polícia, cerca de 90 mil se reuniram "por eleições justas, mas contra uma revolução laranja", abertamente pró-Putin.

O país terá eleições presidenciais no dia 4 do mês que vem, e o primeiro-ministro aparece na frente nas pesquisas de intenção de votos.

Segundo levantamento feito em janeiro, 52% dos eleitores votarão nele.

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Na Folha de S.Paulo.